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Nesta sexta-feira (26/09), durante o encontro Conexões Amazônicas: Ciência e Rede para a COP 30, realizado em Belém (PA), aproximadamente 120 pesquisadores integrantes de 22 redes de pesquisa distribuídas em instituições do Brasil e do exterior, apresentaram a “Carta de Belém”, um documento que reúne contribuições da ciência amazônica na busca de soluções conjuntas para o futuro da Amazônia.

De grande relevância frente à proximidade da COP 30, o evento, que foi realizado no período de 22 a 26 de setembro e sediado na Universidade Federal do Pará (UFPA), contou com debates e propostas colaborativas voltadas ao fortalecimento da agenda climática.

Além de universidades e institutos de pesquisa, também estiveram representadas importantes redes que desenvolvem projetos e ações na Amazônia, com profissionais e pesquisadores voltados ao monitoramento ambiental, à biodiversidade, à recuperação de ecossistemas, à sociobiodiversidade e às políticas públicas.

Nos quatro primeiros dias do evento, as instituições apresentaram propostas e trabalhos em sessões técnicas e rodas de diálogo sobre temas relevantes, como melhorias nas pesquisas na Amazônia, falta de recursos, instabilidade nos editais, desigualdade de oportunidades e entraves logísticos e de comunicação.

No último dia (26/09), o evento foi encerrado com a conclusão do documento, a “Carta de Belém”, que será entregue ao presidente da COP 30 no Brasil, André Corrêa.

A Carta – Documento nasce diante dos enormes desafios em se fazer pesquisa na Amazônia, como o subfinanciamento crônico, a descontinuidade de editais, a desigualdade de oportunidades, a complexidade da comunicação transversal e as barreiras e complicações logísticas.

A iniciativa é resultado do esforço conjunto de importantes redes que atuam com sociobiodiversidade e clima, junto a universidades e institutos — como PELD (CNPq), PPBio (CNPq), INCT (CNPq), Pró-Amazônia (CAPACREAM e CATEGORIA), Programa Conhecimento Brasil e CISAM. Presentes em diversas instituições, essas redes fazem parte das propostas relevantes para as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). A iniciativa também contou com a participação da Universidade de Bristol, na Inglaterra.

Entre as principais contribuições reunidas na “Carta de Belém” para a COP30 estão a gestão sustentável das florestas, águas e biodiversidade; a transformação da agricultura com fortalecimento da sociobioeconomia; a resiliência das cidades e territórios frente às mudanças climáticas; a promoção da justiça socioambiental, com protagonismo dos povos amazônicos; e a democratização do conhecimento por meio de comunicação científica acessível.

O documento também reivindica investimentos contínuos, valorização dos saberes tradicionais, maior integração entre ciência e sociedade e a centralidade dos amazônidas na formulação de políticas públicas.

Participação – O Instituto Mamirauá esteve presente nas discussões, reforçando o compromisso com a produção científica e com a construção de soluções conjuntas para o futuro da Amazônia, além de contribuir com propostas para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Representante do Instituto Mamirauá no evento, o pesquisador Rafael Rabelo destacou a importância da participação da instituição na elaboração do documento.

“Apresentamos as atividades que desenvolvemos em parceria com importantes redes, assim como outras instituições e, dessa forma, pudemos compreender de que maneira integrar nossas contribuições visando garantir soluções inovadoras e que pudessem, de fato, levar impactos positivos e resultados concretos a este tema tão relevante no cenário global”, afirmou.

O Instituto Mamirauá na COP30 

Instituto Mamirauá também estará presente na Conferência das Partes (COP), que acontece de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA). Reconhecido nacional e internacionalmente por integrar conhecimento científico e tradicional no desenvolvimento sustentável da Amazônia, o Instituto participará das discussões com os seus grupos de pesquisa e manejo sustentável de recursos naturais.

“O Instituto Mamirauá está no epicentro dos impactos das mudanças climáticas na Amazônia, evidentes nos anos de 2023 e 2024. Na COP30, vamos apresentar as pesquisas e ações que desenvolvemos para enfrentar essa nova realidade climática”, destacou João Valsecchi, diretor-geral do Instituto Mamirauá.   

Localizado no Médio Solimões, em Tefé, o Instituto Mamirauá é um centro de pesquisa científica aplicada vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com sede em Tefé, no coração da Amazônia. Fundado em 1999, atua na interface entre ciência, conservação da biodiversidade e fortalecimento dos modos de vida das populações ribeirinhas e indígenas.    

O Instituto desenvolve mais de 250 projetos em 36 áreas protegidas no bioma amazônico, potencializando o desenvolvimento de pesquisas aplicadas voltadas à conservação da biodiversidade, desenvolvimento social e de tecnologias sociais na região, bem como fortalecendo ações de manejo de recursos naturais a partir da abordagem de temas como manejo agroecológico, manejo de pesca, manejo de fauna, manejo florestal madeireiro e não madeireiro, gestão comunitária, tecnologias sociais, saúde e qualidade de vida, turismo de base comunitária, mudanças climáticas, políticas públicas, tecnologias sociais dentre outros.   

Fotos: Wallace Albuquerque e Marcos Silveira

Texto: Tácio Melo