Evento reúne pesquisadores, gestores, ambientais, lideranças comunitárias e estudantes do Médio Solimões

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Visando levar conhecimento através da ciência, o Instituto Mamirauá realizou no período de 1º a 4 de julho, na cidade de Tefé, o 21º Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (SIMCON). O evento contou com a apresentação de 90 trabalhos científicos, um recorde entre as edições, e foi palco de importantes debates sobre ética, biodiversidade e soluções sustentáveis para a Amazônia. 

Reconhecido como o maior evento científico realizado no interior da Amazônia, o SIMCON contou com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e levou aos participantes uma variedade de temas envolvendo ética na ciência, desenvolvimento sustentável, governança territorial, entre outros, ampliando ainda mais o conhecimento do público e contribuindo para a popularização da ciência. 

Além da apresentação de trabalhos científicos, o 21º SIMCON contou com mesas-redondas, oficinas, apresentações, discussões e trocas de saberes entre pesquisadores, lideranças comunitárias, estudantes e público em geral.

O coordenador de Pesquisa e Monitoramento do Instituto Mamirauá, Rafael Rabelo, destacou a qualidade dos trabalhos apresentados durante o evento.

“Todos os trabalhos apresentados no 21º SIMCON foram executados por pesquisadores e estudantes da região e isso é um diferencial imenso para a pesquisa sobre a Amazônia. Ressalto ainda os trabalhos do nosso programa de iniciação científica, que ocuparam lugar de destaque no evento, inclusive sendo premiados entre os melhores trabalhos, e isso só mostra a importância de iniciativas que promovam o conhecimento por meio dessa troca de saberes”, destacou o coordenador.

Além dos estudantes e pesquisadores do Instituto Mamirauá, convidados de outras entidades colaboraram com suas experiências, como o projeto “Niara do Tapajós”; o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa); o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (UDESAM); e a Aliança Pela Restauração da Amazônia.


Áreas Temáticas

O evento apresentou trabalhos classificados em três áreas temáticas: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde; Ciências Exatas, Tecnologias e Engenharias; e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

Entre os destaques estiveram as palestras “O desafio para pesquisas em áreas úmidas na Amazônia em transição”, do pesquisador Jochen Schongart; e a “Importância da pesquisa ecológica integrada de longa duração”, pela pesquisadora Clarissa Rosa, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Houve também duas mesas-redondas com os temas “Ética em Ciência: do colonialismo científico ao assédio no ambiente acadêmico”, por Mayda Rocha (Niaras do Tapajós), Clarissa Rosa (INPA) e Tabatha Benitz (Instituto Mamirauá), e “Caminhos para a restauração de ecossistemas florestais da Amazônia, por Amanda Quaresma (Aliança para a Restauração da Amazônia), [A12] Pâmella Assis (Instituto Mamirauá) e Darlene Gris (Instituto Mamirauá).

Tema inédito e de grande interesse de pesquisadores e cientistas, a palestra sobre ética na ciência estimulou debates no 21° Simcon.

“É extremamente importante esse tema ser abordado dentro da ciência, pois a maioria dos casos reflete problemas que acabam não sendo comentados dentro da comunidade científica, como o desrespeito, falta de ética e o colonialismo científico, que trata sobre as práticas de cientistas de outros países, com exploração de recursos naturais e humanos de países em desenvolvimento”,
explicou Mayda Rocha, do projeto Niaras do Tapajós.

Palestrando pela primeira vez no Simcon, a secretária executiva operacional da rede Aliança
Pela Restauração na Amazônia, do Pará, Amanda Quaresma, trouxe o tema “Caminhos para a restauração de ecossistemas florestais da Amazônia”, visando compartilhar experiências e agregar conhecimento.

“Espaços como o Simpósio são fundamentais para reunir comunidades, estudantes e cientistas, em prol da multiplicação de saberes. Esse é um dos melhores meios para difundir e compartilhar o conhecimento sobre o restauro de ecossistemas florestais e isso é muito importante. O Instituto Mamirauá é membro da rede Aliança com diversos grupos de trabalho junto à pesquisa e extensão, contribuindo para os nossos milhões de hectares que precisam ser restaurados”, pontuou Amanda Quaresma.

 

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Oportunidade de divulgação 

O evento é uma oportunidade para pesquisadores e estudantes locais para a divulgação dos seus trabalhos e contato com outros pesquisadores. Nas modalidades “oral” e “pôster”, os participantes puderam apresentar seus trabalhos de pesquisa e projetos de extensão desenvolvidos na região, fazendo com que o público tivesse conhecimento sobre as práticas revolucionárias que contribuem para a conservação e estudos na Amazônia.

Um exemplo foi o trabalho “Boletim das Águas”, que usa grupos de WhatsApp para trocar informações sobre os níveis do rio entre comunidades ribeirinhas, pesquisadores e público em geral, apresentado pela bolsista do Instituto Mamirauá, Arezza Simão. 


Cultura e Arte no 21° SIMCON

Para fechar com chave de ouro o 21º SIMCON, foram revelados os vencedores do 15º Concurso de Fotografia do Instituto Mamirauá, que contou com 30 inscritos e mais de cem fotografias voltadas para temas como biodiversidade, retratos humanos e bioma amazônico.

Para o organizador do concurso, o fotógrafo e pesquisador do Instituto Mamirauá, Miguel Monteiro, é fundamental a realização de concursos dentro de eventos científicos.

“Acredito que essa iniciativa é de grande importância, pois estimula os olhares sobre paisagens e populações amazônicas dentro do contexto científico, de modo que podemos unir ciência e fotografia, transformando-as em arte através dessas imagens e, claro, dando a oportunidade para que profissionais e amadores da fotografia possam mostrar seu trabalho”, destacou.

Os participantes passaram por um edital, cuja seleção estava restrita aos temas “Biodiversidade”, “Paisagens” e “Retratos Humanos”. As votações foram realizadas pelo público participante do Simcon, ao logo dos quatro dias de evento.

Na categoria Biodiversidade, o primeiro lugar ficou com a arqueóloga Geórgea Holanda, seguido pelos participantes Pedro Henrique e Emily Silva, que empataram na segunda colocação. No tema “Paisagem”, o campeão foi Rodrigo Lago e a segunda posição ficou com Guilherme Carvalho. Já na categoria “Retratos Humanos”, o ganhador foi André Zumak e, em segundo lugar, o participante Pedro Henrique.

O evento também contou com a apresentação da banda Santa Cecília, grupo musical da Escola Municipal de Música Santa Cecília, de Tefé, que trouxe em seu repertório músicas regionais, descontraindo e animando o público presente.

 

Texto: Tácio Melo

Fotos: Miguel Monteiro e Julia A. Rantiguer